Vivo!

Levantar, ressurgir, reerguer

Recobrar os sentidos para além da dor

Ressignificar o mundo e suas estúpidas incongruências

Apesar do corpo mutilado, rasgado pela alma pesada que sustenta

Suportar novamente a cruel frigidez humana

E caminhar por sobre os destroços vivos em putrefação

De uma batalha infindável, incessante e irreversível

Com um esforço sobre-humano para manter a espinha ereta,

O Coração ferido, a alma desfigurada e um sorriso mínimo

Até o próximo tropeço, a tórrida queda, o inevitável tombo

Mas erguer-se

E daqui debaixo de tudo, qualquer ganho seria louvado

O mísero cotidiano recobrado

A tortuosa e pegajosa sina transformada em missão

Os joelhos tremulantes açoitando o chão

Calcanhares, cajados, muletas e o coração

Passo a passo arranco com uma foice

As últimas lágrimas da estação

E sigo cambaleante, firme em minha resolução

Os ventos fervorosos do grande moinho

Transpassarão minhas feridas profundas

Abandonando meu andar livre à própria morte

Meu andar

À própria sorte

Mais um passo

Estou de pé

E comemoro em um grito abafado

Vivo!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s